Tema 2. Política curricular catarinense - interfaces com outros contextos e com a Educação Integral.
Questão sugerida: O lugar dos agentes curriculares (Estado, escolas, educadores e estudantes) - implicações para uma educação integral. Quais limitações e possibilidades?
A Proposta Curricular de Santa Catarina, em vigência desde 1998, opta claramente pelo materialismo histórico-dialético como concepção de homem e pela abordagem histórico-cultural como a concepção de aprendizagem, instituindo-os como seus eixos norteadores. Estas duas perspectivas teóricas, a partir de então, direcionam teórica, filosófica e metodologicamente o currículo e o ensino no Estado.
Para realizar uma aproximação ao conceito de educação integral baseada na Proposta Curricular de Santa Catarina, faz-se necessário estudá-lo naquelas correntes teóricas que a fundamentam. Visto que a opção da Proposta é pelo materialismo histórico-dialético vou buscar nos estudos e proposições desta teoria os fundamentos para esta aproximação.
Nesta concepção proposta, Gramsci enfatiza o desenvolvimento global e integral da personalidade que se dá pelas múltiplas experiências que o ser humano vivencia. Assim ao meu ver, e apoiada nas proposições de Gramsci, as características que formam a concepção de educação integral na perspectiva teórica materialista histórico-dialética e, portanto, que emanam da Proposta Curricular de Santa Catarina, são: o desenvolvimento global e harmonioso de todas as faculdades; a recusa pelo espontaneísmo dos métodos ativos; a ênfase à necessidade de um ensino elementar dogmático; a proposta de uma escola única de cultura geral, humanística, que equilibre a formação intelectual e profissional ou tecnológica inerente à formação do novo homem.
(Aurélia Lopes Gomes - UFFS Universidade Federal da Fronteira Sul, 2011)
Nesse cenário Estado, Escolas, Educadores e Estudantes tem seus papeis e ações definidos para um processo ensino-aprendizagem voltado ao atendimento integral, com limitações e possibilidades visíveis. A oferta crescente de oportunidade e atendimento em Educação Integral é um ponto positivo, uma possibilidade rica e abrangente; em contrapartida, as inúmeras limitações dela advinda, a falta de espaço físico adequado, o despreparo da escola e dos docentes para essa nova proposta educativa, a inexistência de um currículo construído a partir da realidade em que se aplica. Entre outras limitações.
Para vivermos um currículo inclusivo, democrático e participativo, falta-nos muita vivência social, pois tudo ou quase tudo que trabalhamos na escola é conteúdo, é tema, que já vem definido, pronto e a escola se torna, dessa forma uma simples representatividade do currículo vigente.
Numa proposta curricular em que o ser é visto como uma totalidade histórico-dialética e que deve considerar sua formação com sua vida e sua perspectiva, muitas falhas ainda precisam ser revisitadas para que o programa se revista de possibilidades e de formação de sujeitos críticos e atuantes no meio em que vivem e atuam.

Nenhum comentário:
Postar um comentário